Corda Bamba
Não me ignore
Você me agride de uma forma estranha. Me provoca, me atiça, joga pedras em mim. E eu pareço movida por suas criticas, como uma criança que anseia desesperadamente a aprovação de um pai. Você me desconcerta ao me afrontar.
Meu comportamento natural seria o de ignorar-te, de não me importar, afinal, você não tem experiência o suficiente pra me conhecer. Você não sabe das minhas origens, não sabe o que eu passei, que traumas eu sofri, que lembranças estão guardadas na minha memória.
Eu andei em mundos que você desconhece, bebê. Eu vi coisas que você se horrorizaria. Eu experimentei o amargo da vida, no cálice da descoberta. Porém sobrevivi.
Mas você me conheceu num momento doce e sereno. Quando eu já havia decidido ser somente aquilo que eu desejasse e não o que os outros julgavam ser correto. Minhas ideologias já estavam formadas. Não havia como retroceder.
O que hoje eu sou são apenas pedaços do que vivi. De um quebra cabeças infinito formado pelo que recolhi no caminho onde andei. E então você chega. Argumentando que nem eu mesma sei quem sou. E eu escuto! Ah, Louca...
E ao invés de apenas ignorá-lo como eu faria com qualquer pessoa, EU ME IMPORTO! Não comigo, mas com você.
Suas palavras me atravessaram como um punhal afiado. As gotas do seu veneno percorreram todo meu íntimo, dilacerando minhas entranhas. Eu me contorci diante da sua convicção. Agonizei de desespero e medo. Quis gritar, mas apenas uma lívida gota rolou em minha face.
Eu quis sentir ódio e não consegui. Então me dei conta que em apenas uma semana, uma pessoa apareceu na minha vida e me envolveu de tal forma que me prendeu nos meus próprios laços. E eu estou aqui agora, de mãos atadas, porque você disse que não me responderia. Que deixaria pra depois.
E eu me senti descartada. Eu me senti desamparada. E é assim que você diz que se entregou, quando na verdade quem se entregou fui eu... Sem perceber me entreguei a você e agora você quer se afastar.
Eu passei dez minutos olhando aquele espaço em branco, tentando entender como algo tão sedutoramente puro se transformou em palavras de desprezo e solidão. Eu, que já estava sozinha, consegui me sentir desolada.
Não sei o que virá amanhã, não sei como conseguirei te encarar. Mas esperarei angustiadamente ao menos um gesto seu, seja ele de aprovação ou não. Mesmo que apenas me olhe e sorria, ou apenas me despreze. Só não me ignore, pois estou tão envolta nesse sentimento que esperaria o muito ou o nada dele, mas nunca o abandono.
Queridos leitores
E daí que ontem minha internet caiu de madrugada e eu fiquei lá com minha cara pra lua de frente pro computador sem saber o que fazer.
E veio aquela vontade de dizer coisas que nunca mais meus dedos tinham escrito, porque meu cérebro também não havia pensado, já que eu não me permiti ter tempo para não fazer nada.
Fazer nada é algo interessante. Eu gosto da palavra devaneio. E curto seu significado. E é incrível que ele só surja nesses momentos de ócio. Lindo como ele invade sua mente permitindo uma viagem estranha, quase impossível. E é tão bom sonhar.
Ontem à tarde eu olhava umas fotos. Hoje olho a tela. Amanhã para onde estarei olhando?
Espero que sempre eu possa ter as palavras como amigas. Procuro despertar o subconsciente alheio através delas. Não gosto de explicitamente expressar o que digo. Bom mesmo é deixar nas entrelinhas o xis da questão. Entenda você, julgue você, decida você. Sou mera condutora da sabedoria intrínseca que o universo me doa. Expressar-me de forma subjetiva torna o diálogo mais emocionante e intenso. E depois, posso deleitar nos comentários absurdos ou eloqüentes que vocês, leitores, deixam pra mim.
E na minha cabeça, grandes exclamações surgem quando me dou conta que o que escrevi foi realmente entendido. E rio, rio muito de mim mesma quando fujo do foco e mesmo assim, percebo que através de meros signos digitados virtualmente, você conseguiu sentir o que daqui eu senti também, ao me deitar em frente a esta tela e começar a digitar algo qualquer e que de repente virou um turbilhão de emoções.
Agradeço aos poucos, mais muito meus... Leitores queridos. Amo muito vocês.



